Axé Aquático

by Marell on Apr.21, 2009, under Uncategorized


Foi literalmente debaixo d’agua que tocamos na micareta mais importante da Bahia!


Dias antes da micareta de Feira de Santana começar a previsão do tempo já alertava: Céu nublado e pancadas de chuva!! Como em Salvador já fui à praia diversas vezes sob a mesma previsão e presenciei sol escaldante e céu de brigadeiro, nem dei bola para a previsão.

 

Acordei por volta de 10 da manhã, percebi que o céu estava totalmente nublado e pelo alagamento na minha varanda, a chuva que caia era forte e já durava algumas horas. Já era sábado, o dia do nosso show na micareta e me preparei para a viagem…

 

Já na saida uma grande surpresa: equipamentos, sacolas, material e instrumentos, todos dentro do ônibus - o ônibus não ligava!

Eu já estava imaginando a banda toda recriando a famosa cena da galera do Asa de Águia empurrando o ônibus quebrado. Mas para nossa felicidade, Cida (produtora) sentou-se ao volante e conseguiu dar partida de primeira enquanto o motorista mexia na bateria do ônibus. Ufa! Pudemos guardar as energias para o show…  

 

Chegamos a cidade de Feira por volta de 1 da tarde e fomos direto para o trio passar o som. O frio já era forte e eu me aqueci numa jaqueta enquanto nossa equipe montava os equipametos. Rapidamente tudo ficou pronto e pude ir pro camarim aquecer bem a voz e me preparar para o show.

 

Começamos a tocar enquanto apenas uma chuvinha fraca caía, mas essa alegria durou pouco, logo uma chuva forte veio com tudo e invadiu nosso trio. Como se diz na Bahia: “Um verdadeiro toró.” Enquanto a produção corria para abrir a lona que serve de teto para o trio e protege todos os equipamentos, eu decidi que não dava pra ficar escondido sob a lona enquanto nas ruas de Feira o povo pulava ignorando a chuva. Senti a vibração da galera e não resisti: Decidi cair na farra também!

 

O trio elétrico em que tocamos tem aquelas varandinhas que são mais ou menos como uma extensão lateral de 2 metros de comprimento e ficam dos dois lados do trio. Essa varanda me proporciona um contato mais próximo com o público mas não tem cobertura. Resultado; minha guitarra junto com o microfone, fone e trasmissores sem fio tiveram suas “habilidades” aquáticas testados ao extremo. Foi uma sensação incrível, minhas calça jeans ficou pesada, fazia frio, eu usava uma camisa regata bem fina e meu cabelo de arrepiado virou Chanel rsrsrsrsrrsr! Minha guitarra escorregava e meu fone de ouvido parava de funcionar a todo momento, ao final de cada música eu e Gabriel (produtor) tentávamos secar a guitarra e os trasmissores temendo um final trágico para minha loucura de tocar no meio da chuva. Mas estar ali me molhando junto com a galera era o melhor lugar do mundo naquele momento que pra mim era mágico!!!

 

A chuva não deu trégua até o final do show e quanto parei de tocar estava tão molhado que tive que trocar de roupa antes de embarcar no ônibus que nos levaria de volta a Salvador. Ver os nossos convidados que estavam no trio amontoados debaixo da lona e as meninas preocupadas com a “chapinha”  era no mínimo divertido!!!

 

Entre sorrisos, vibração e muita música: nosso show foi perfeito!!! Valeu cada gota de suor e de chuva!!!

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